O conceito de cuidados com a saúde orienta as práticas de cuidado de cada indivíduo e se conecta aos acontecimentos socioeconômico-político-culturais, com consequentes diferenças ao longo do tempo (1) . Daí a importância de compreender os pensamentos de populações específicas que norteiam o cuidado com a própria saúde. Neste estudo, buscamos o olhar de homens idosos, principalmente porque o número de idosos no Brasil está aumentando, além de serem exemplos para os jovens e, portanto, nortearem ações de outros membros da família.
Pessoas nessa faixa etária, ou seja, com 60 anos ou mais (2) correspondia a 13,4% da população brasileira em 2014 e com alcance estimado de 33,7% em 2060 (3) . Como consequência, as condições crônico-degenerativas tornaram- se as principais causas de morbidade e mortalidade (4) . Embora o número de mulheres idosas com doenças crônicas e deficiências degenerativas seja maior do que o de homens idosos, estas apresentam menor expectativa de vida (5) . Vale ressaltar que há menos homens com diagnósticos de comprometimento da saúde em comparação às mulheres, e isso não significa que eles sofram menos, mas pode estar relacionado à maior resistência em frequentar os serviços de cuidados com a saúde, com menor participação em ações de promoção e prevenção à saúde (6) , característica que permeia a questão de gênero.
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Dessa forma, a população masculina não prioriza a busca por serviços de cuidados com a saúde, o que impacta no conhecimento de diretrizes gerais e específicas que favoreçam sua qualidade de vida. A atenção à saúde do homem como problema de cuidados com a saúde pública é um tema relativamente novo, pois, embora os idosos sejam contemplados pela Política Nacional de cuidados com a saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) ,7) desde 2006, que propõe o direcionamento de medidas coletivas e individuais de cuidados com a saúde, o homem apresenta peculiaridades que precisam ser destacadas. Por meio desse contexto, reforçamos a importância de compreender as especificidades desse grupo populacional para melhor atendê-lo nos serviços de cuidados com a saúde, visto que, além das questões apontadas, o aspecto cultural excludente da sociedade se soma quando o homem se afasta do trabalho, refletindo, na maioria das vezes, em sua saúde (8) .
Dr Stéfano Fiúza – Cirurgião de Cabeça e Pescoço
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